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Os 40 anos do fantástico mundo fantástico do Odyssey!!!

Na história dos videogames no Brasil, relembramos o incrível comercial exibido em domingo, no horário nobre de 1o. de maio de 1983, para explicar o super lançamento da Philips. Vestindo uma roupa no estilo Guerra nas Estrelas e com diversos efeitos especiais produzidos e finalizados na Califórnia, este viria a ser o 1o. comercial brasileiro de um videogame, e dizia:

“Olá, eu vim para mostrar Odyssey. Você sabe o que é Odyssey? Odyssey é o novo e fantástico videogame da Philips. Pode ser ligado num televisor como o seu, é programável e vem com tudo o que você precisa para jogar. Inclusive um teclado alfanumérico. É realmente notável. Dezenas de jogos com muita ação e emoção. Jogos esportivos, educativos, estratégicos e os incríveis jogos de ação. Todos capazes de surpreender a sua fantasia. E muitos outros jogos virão. Não esqueça: Odyssey, o videogame da Philips.”

 


Nota do Editor: Acima temos o comercial de apresentação do Odyssey para o mercado em 1 de maio de 1983, produzido pela agência JW Thompson

 

Oficialmente o Odyssey no Brasil foi apresentado à imprensa no dia 13 de abril de 1983, no Hilton Hotel em São Paulo. Durante as duas próximas semanas, a Philips participaria da 29a. feira de Utilidades Domésticas de São Paulo, a famosa UD de 1983, montando o maior e melhor estande da feira, com cerca de 1200m2 e bem no centro do pavilhão, como bem apresenta Marcus Garrett em seu livro e depois documentário 1983: O Ano dos Videogames no Brasil. A Philips lança o Odyssey com um super investimento e uma campanha de marketing maciça.

 


Nota do Editor: Acima temos a foto do ingresso da Lendária UD de 1983 de propriedade de Marcio Rodrigues do Odyssey brasil e da Página do facebook – Odyssey – O Videogame da Philips.

 

Na Europa, mais conhecido como Videopac G7000 Computer, foi lançado por alguns fabricantes com algumas variações no nome como Jet 25 Radiola, Philips Videopac C52 (França), Schneider 7000, Sierra G7000 no Natal de dezembro de 1978. Um pequeno defeito no plug de energia que poderia colocar em curto o aparelho, fez cancelar as vendas, apenas 7500 unidades tinham sido vendidas até aquele momento. O relançamento aconteceu com sucesso em 1979. Nos EUA, chamado de Odyssey 2,  o lançamento aconteceu oficialmente em fevereiro de 1979, depois de uma aparição na Consumer Eletronics Show em Las Vegas, NV, em janeiro deste mesmo ano.

 


Nota do Editor: Acima temos a direita um anúncio americano do nosso Odyssey que por lá era chamado de Odyssey2 e a direita o Videopac Europeu…

 

Assim, 40 anos se passaram desde o lançamento Europeu e Americano. O Brasil comemora então 35 anos, e o Japão – sim, os japones tiveram uma versão chamada オデッセイ2 (odessei2) lançada pela Kōton Trading Toitarii Enterprise em setembro de 1982, comemorando então 36 anos. E hoje, 40 anos depois,  histórias continuam a ser contadas e descobertas sobre nosso Odyssey.

O Odyssey Vive!!!
O principal programador do Odyssey (vou retirar o 2 durante este texto, pois sabemos que no Brasil a Philips desconsiderou a primeira versão da Planil, e assim não se justificava manter o número 2)  sabemos que foi Ed Averett. Ele basicamente escreveu 26 jogos, sendo 24 jogos em 4 anos, ou seja a maioria dos jogos comerciais oficiais do Odyssey, considerado um fato heroico essa quantidade de títulos nessa época. A novidade aqui é que nosso “pai do come-come” (KC Munchkin era título original americano),  lançou recentemente (2015) na Microsoft Store um game chamado KC Returns!. Na descrição do jogo na loja ele diz: “desenvolvi KC Returns! para meus netos, assim eles irão entender melhor sobre DNA e seu futuro”. Chegou a dizer também que gostaria de ter feito esse jogo na época do Odyssey, mas que devido às restrições  tecnológicas não era nada possível. O jogo inspirou dois livros infantis KC Cracks the Code! e KC and the Battling B-Cell, da escritora Yvonne Lamey (não confirmado, mas pode ser nora de Averett). O jogos e os livros tratam de assuntos como câncer, vírus, bactérias e buscam incentivar crianças a se interessarem por ciëncia e quem sabe serem jovens pesquisadores na busca de cura para essas doenças. Confesso aqui que fiquei emocionado ao ver na tela de abertura do jogo o nome E.Averett, o novo KC 3D e bem lá no fundo o antigo KC 8bits. No menu aparece o marcante SELECT GAME todo colorido presente em quase todos jogos Odyssey. Averett  aprovou também um novo jogo caseiro (HomeBrew) chamado KC’s Escape!, lançado na Portland Retro Gaming Expo de 2017, em uma versão autografada por ele mesmo, acompanhava ainda um Come-Come feito de pom-pom, “munchies” comestíveis (balinhas), e ainda um patch bordado, semelhante aos da Activision da década de 80. Apesar de seu jogo não agradar muito, Averett continua por ai, e assim como eu e outros fãs do Odyssey, gostaríamos muito que ele aparecesse por aqui qualquer hora.

 

Nota do Editor: Acima temos a foto do lendário Ed Averett, autor de 26 jogos do Odyssey  e do programador brasileiro Rafael Cardoso, representante da nova geração de programadores, autor de mais de 17 jogos para o sistema Odyssey.

 

E, falando em novos jogos, a biblioteca de jogos do Odyssey conta hoje com cerca de 60 jogos caseiros (homebrew), quase o mesmo número de jogos oficiais lançados na época, mostrando assim que nosso Odyssey continua mais vivo que nunca, e com trabalhos fantásticos realizados por programadores europeus, americanos e brasileiros. Exatamente, temos dois brasileiros desenvolvendo para Odyssey, Ivan Machado com 2 jogos Death Race e Golf Tournament, e o querido amigo de longa data Rafael Cardoso.

 

“O requinte gráfico e os detalhes na programação dos jogos também são incríveis. Acredito ainda, que poucos sabiam que temos no Brasil um desenvolvedor reconhecido internacionalmente pela qualidade dos jogos que tem feito para nosso Oydssey”

 

O designer/programador Rafael Cardoso possui hoje cerca de 17 jogos desenvolvidos para Odyssey. Um trabalho incrível mantendo as mesmas características estéticas no acabamento dos jogos, resgatando assim o que era criado na década de 80. O requinte gráfico e os detalhes na programação dos jogos também são incríveis. Acredito ainda, que poucos sabiam que temos no Brasil um desenvolvedor reconhecido internacionalmente pela qualidade dos jogos que tem feito para nosso Oydssey.  Recomendo aqui conhecerem os jogos Forbidden Lands!, Mars Menace!, Vida Selvagem! (WildLife!), e Haunted Woods!, com um belíssimo trabalho gráfico na capa feito por Ricardo Silva. Realmente, Ivan e Rafael estão criando projetos primorosos que precisam ser conhecidos e fazer parte da coleção de quem for apaixonado pelo nosso Odyssey. aqui talvez citar o site e a materia como entrevistado odygames.blogspot.com

E falando em Ricardo Silva, para quem não o conhece, ele é também brasileiro, e um apaixonado fanático por Odyssey. Foi responsável por pesquisar, digitalizar e disponibilizar as diversas propagandas raríssimas do Odyssey, como a já falada “Você sabe o que é Odyssey?” e ainda outros comerciais do Come-Come, Tartarugas, e jogos Odyssey. Ricardo acaba de lançar também, comemorando os 35/40 anos do Odyssey,  um lindo e completíssimo site http://www.experienciaodyssey.com.br, com um trabalho gráfico impecável, mostrando tudo sobre nosso Odyssey. Vale a visita!

Uma outra novidade recente foi a descoberta de não uma, mas duas unidades do Odyssey Game Center. Por muito tempo sabíamos da existência destes quiosques de demonstração, presentes em lojas e feiras, mas ninguém sabia se tinham sobrevivido ao crash de 84. Foram arrematados dois em um leilão. Um deles encontra-se na mão de um colecionador, e o outro em uma loja de jogos retrô especializada em recuperar e manter esses quiosques de diversos consoles.

Em 1983 a Philips criou “O guia de vendas do Odyssey”, para ajudar a explicar e introduzir o videogame ao lojistas, nele estava escrito “sem sombra de dúvida, Odyssey é o lançamento mais incrível de 1983” (…) “um videogame programável, e ser programável oferece uma variedade praticamente ilimitada de jogos”. Recomendava ainda que o lojista deveria demonstrar o Odyssey, que essa seria a chave para maiores vendas. Bem, comercialmente a história não foi tão boa assim. Sabemos que alcançamos durante um primeiro momento a primeira posição de vendas nacional, mas logo depois a disputa com o Atari Polyvox e outros clones nacionais nos colocou em segundo lugar, conforme mostra uma reportagem da Veja em 7 de março de 1983, com o título Guerra sem Vencidos, onde dizia ter lugar para todo mundo, pois o mercado não para de crescer. Passados apenas nove meses do lançamento oficial do Odyssey, a Veja mostrava que cerca de 200 mil consoles já tinham sido vendidos, e aproximadamente 800mil cartuchos passaram por lojas especializadas. A previsão naquele momento do sr. Eugênio Staub (Presidente da Gradiente) era vender cerca de 1 milhão de consoles nos próximo 5 anos.

 

Nota do Editor: Acima temos a foto do cartucho original da ECTRON e ao lado, em primeira mão, a capa do relançamento deste jogo, com a capa também ilustrada por Ricardo Silva e com bugs corrigidos por Rafael Cardoso que vai acontecer em 2019 pela Odyssey Brasil…

 

Talvez esse sucesso todo tenha motivado a empresa ECTRON ELETRONICA LTDA a desenvolver o cartucho com os jogos Missão Impossível e Viagem Programada para nosso Odyssey. Tornou-se hoje o cartucho mais raro nacional. Com apenas 2 cartuchos conhecidos, e encontrados em uma diferença de 10 anos cada, a ROM já está disponível e algumas cópias caseiras são encontradas à venda. Mas, o que queremos saber mesmo é mais detalhes sobre essa empresa e o desenvolvimento destes jogos. Pelo que percebemos, os jogos devem ter sido criados no auge do Odyssey no Brasil, ou no máximo até o final da década de 80, e se isso se confirmar, estaríamos então com o cartucho original do que seria o Primeiro Jogo Nacional para Consoles de Videogame… uma verdadeira preciosidade!

Relembro ainda que o senhor Milton Bonanno, gerente do grupo Philips do Brasil, informou no documentário 1983: A história dos videogames no Brasil, que foi necessário fazer o “registro literário” da descrição dos jogos Odyssey como uma forma de preservar os direitos autorais dos jogos. Está aí, mais uma novidade de um material ainda não encontrado, inédito, que faz com que nosso Odyssey continue sempre vivo.

Finalizo fazendo o convite para que participem de nossos grupos de discussão, encontros, Whatsapp e Telegram, listas, e compartilhem o que sabem sobre Odyssey. Parabenizo nosso querido e jovem Odyssey em seus 40 anos, e ainda toda esta comunidade de apaixonados por Odyssey, amigos que estão sempre em busca de novidades e raridades relacionadas ao Odyssey para disponibilizar a vocês e principalmente fazer a preservação histórica deste Fantástico Mundo Fantástico do Odyssey!

Autor

Victor Emmanuel

O professor, como é conhecido, é um dos maiores apaixonados pelo Odyssey do Brasil, colecionador e historiador dos videogames no Brasil, Victor Emmanuel já organizou diversos eventos acadêmicos de videogames na PUC de São Paulo, onde leciona. Participou também do documentário 1983, o ano dos Videogames no Brasil como uma das autoridades do nosso tão amado console. Suas duas paixões são Didi na Mina Encantada e Senhor das Trevas.

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Uma Resposta

  1. Avatar
    Ricardo Biancalana

    Muito bacana a matéria,parabéns a todos envolvidos,continuem nos presenteando com informações